Os cronistas são os espiões da vida, e muitos são os bons cronistas brasileiros. Seria impossível falar de cada um. Então, nos limitamos a uns poucos no meio de tantos.
JOÃO DO RIO Consagrou-se como cronista mundano, que, ao invés de um simples registro do formal, fazia o comentário dos acontecimentos que tanto podiam ser do conhecimento público quanto da imaginação do cronista, tudo examinado pelo ângulo da recriação do real. Ele inventava personagens e dava aos seus relatos um toque ficcional. (1)
FERNANDO SABINO
Sempre voltado para a busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano, ele nos mostra que o cronista tem seu "momento de escrever" e que, apesar da pressa, característica do ofício, ele também recebe o impulso da inspiração, seleciona e pesquisa, trabalhando o texto em suas diferentes fases.
SÉRGIO PORTO
Traz a força total do humor tipicamente brasileiro expresso nas crônicas de Stanislaw Ponte Preta. Além de registrar a vida cotidiana, ele critica aquele tipo inculto que inventa palavras e expressões, criando um mundo de baboseiras (na mira, Ibrahim Sued). Influenciado por Manoel Bandeira, consciente das técnicas narrativas e dos recursos da língua, Porto recupera, através do humor, a poesia. Foi um raro criador de tipos que representam a índole do povo brasileiro, dando-lhes sempre a preferência em suas narrativas, um tanto fatídicas. (2)
LOURENÇO DIAFÉRIA
Segue outra vertente do humorismo: a precedência dos fatos sobre os personagens que os vivem, vistos com um olhar mais otimista. Consciente de que sua função é prestar atenção ao banal, ele vai costurando retalhos de informações até transformá-los em um relato verossímel, estruturado de acordo com as leis da coerência do texto, as peças ajustadas como num quebra-cabeça. Diaféria vai cumprindo o exercício da crônica como um testemunho do nosso tempo, contando as tragicomédias diárias, fazendo o leitor recuperar seu senso crítico enquanto se diverte, alcançando o que está além da banalidade. (3)
PAULO MENDES CAMPOS
É um caçador de imagens perdidas nas lembranças. Suas crônicas parecem poema em prosa tentando resgatar o tempo da infância perdida, em um jogo de analogias que envolve o leitor num somatório de emoções. Seu universo imaginário aproxima-se do real, permitindo ao leitor suportar as pressões do mundo convencional e partir para buscar novos horizontes, lembrando que ainda vale a pena viver.
CARLOS HEITOR CONY
A experiência pessoal serve como ponto de partida para o trabalho deste cronista. Do convívio com sua própria família nascem as reflexões que servem de pretexto para formar uma visão crítica do mundo. Transitando entre textos despreocupados e dramáticos, Cony demonstra claramente sua preocupação em mergulhar na alma de seus personagens para melhor compreender os mistérios do ser, aproveitando "a leveza da crônica para buscar a leveza do espírito, na imagem do amor eternamente retornando ao homem e lhe devolvendo o sentido da humanidade". (4)
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Seus textos apresentam a magia da síntese, o ritmo adequado, o jogo de imagens e o fino humor que revela o cansaço da vida e sua reabilitação. Drummond sabe que a crônica também tem sua "musa", o objeto nomeado para o nosso reencontro com a essência, nosso renascer. Dessa relação ele tira o necessário distanciamento para compreender seus próprios atos, confirmando o encontro do homem com alguma coisa que esta fora dele.
VINÍCIUS DE MORAES
Apesar de considerar a "prosa como uma arte ingrata" ele mantém o equilíbrio entre o não ficcional e o ficcional, usando artimanhas peculiares. Transita entre a poesia, a prosa e a crônica usando subjetivismo como forma de apreensão do ser humano. Um artista, no sentido pleno da palavra.
RUBEN BRAGA
Dotado de uma sensibilidade especial e um lirismo reflexivo, Braga conhece a importância dos pequenos momentos que, somados, completam o quebra-cabeças da vida. Certamente capaz de produzir contos, novelas ou romances, ele não se deixou seduzir pelos chamados "gêneros nobres" e tornou-se essencialmente, cronista. Ocupa lugar de destaque na história da crônica brasileira. Pertencendo à linhagem do poeta Manuel Bandeira, de quem recebeu influência e de João do Rio, antecessor de todos os cronistas, Ruben Braga através de valores que recebeu em sua formação situa-se como um indivíduo num contexto social amplo. Ele compõe, então, um caminho claro, através do qual o prazer da leitura pode ser reencontrado, mostrando, através de um fato miúdo ou da estória inventada, a nossa própria estória. Ler Ruben Braga é encantar-se com suas palavras.
1- Sá, Jorge de. A Crônica. Ática, São Paulo, 1985, pág. 9.
2- Idem, pág. 31-37.
3- Idem, pág. 39-47.
4- Idem, pág. 64.

meu nome karina queria deixar um comentario de que eu adorei as cronicas do stanislaw ponte preta queria dizer que quem criou esse espasso para que as pessoas comentar e muito bom so queria agradeser por isso
ResponderExcluirNésia,obrigado pela clareza de suas explicações sobre os autores e suas crônicas.
ResponderExcluirmto legal ^^
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